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Vim de Longe… (carta a um ginasta)

Tal como tu, Zé Ricardo, também eu vim de longe. Não em distância, mas em tempo. Vim de há 34 anos. 

Adorei conhecer-te e partilhar treinos contigo. Perceber que na diferença, de idade, de tempo, de género, temos algo muito forte em comum que nos juntou naquele espaço – a Ginástica. “Entra em nós e nunca mais sai” – concordámos. 

E vim de longe, onde ficou a paixão do que me fez o que hoje sou – professora de educação física. 

E porque acredito que nada acontece ao acaso, vim de longe para me encontrar aqui, neste grupo, nesta família, onde marquei encontro com sonhos de criança que agarrei com medo que voltassem a fugir. 

Foi aqui que bati à porta, com receio, e perguntei apenas se podia ver… A porta abriu-se, convidaram-me a entrar, a ficar… e eu fiquei. 

E foi aqui que não tive medo de abrir a gaveta das memórias e ir buscar o que há 34 anos fechei a sete chaves, porque só de recordar fazia doer! 

Permanece, cada vez menor, a mágoa do passado do que poderia ter sido e não fui, do que poderia ter feito e não fiz. Lentamente tenho-me libertado do peso do tempo em atraso. Porque mesmo carregando os atrasados 34 anos sobre o corpo, percebi que era possível. Este era o local certo e o momento certo porque estava na presença das pessoas certas. 

Foi aqui que me esqueci do tempo, da idade e fiz as pazes com o passado, procurando perdoar quem, em criança, me afastou dos sonhos. 

Hoje sinto que faço parte deste todo, também sou “ginasta” e aprendi que uma vez sendo, é-se para toda a vida, independentemente de fecharmos a gaveta dessas memórias e aprisionarmos as paixões. 

Tal como tu, Zé Ricardo, vim de longe e aqui me reencontrei, neste teu grupo. 

Um enorme agradecimento a todos: treinadores, ginastas, pais… pela forma carinhosa com que receberam alguém que não se encaixava em nenhum destes grupos, e permitiram que aos poucos desenvolvesse a minha identidade nesta família. Hoje sei o que sou, sou ginasta e sou “mãe” sempre que os pais estão longe. 

E o “meu tempo” permanece em mim. As recordações são hoje mais fáceis de recordar: treinava num colchão fininho que servia apenas para amortecer a confiança; usava um fato sem brilho, mas todo o pouco era suficiente para fazer dos dias de treino os mais desejados da semana. O mais importante estava lá, a ginástica, a paixão e a vontade. 

Finalizo com um profundo agradecimento a quem tornou possível o aparente impossível, a quem acreditou em mim mais do que eu mesma, a quem não desistiu e me (con)venceu pela persistência, a quem tem o céu como limite. Muito, muito obrigada! 

(Quando me foi proposto escrever sobre a minha experiência neste grupo, grande parte deste texto já tinha sido escrito num daqueles momentos em que usamos o papel para orientar emoções…) 

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